Os 10 Melhores Gráficos para usar em Dashboards (e os 5 que você deve evitar a todo custo)
Todos nós já vimos. Aquele Dashboard. Uma única tela que mais parece o painel de um avião em pane: 10 gráficos de pizza, 5 medidores coloridos, um gráfico 3D que mais parece uma pintura abstrata, 30 cores diferentes e nenhuma informação clara.
Isso é o que eu chamo de "poluição visual". A maioria das pessoas, na ânsia de "decorar" o relatório, comete o erro fatal de escolher o gráfico pela aparência, e não pela função.
A verdade é dura: um gráfico mal escolhido é pior do que nenhum gráfico. Ele não apenas falha em informar, mas ativamente desinforma, levando a decisões de negócio erradas.
O objetivo de um Dashboard profissional não é ser "bonito"; é ser claro. A beleza vem da clara comunicação. A seleção do gráfico não é arte, é uma ciência baseada em uma única pergunta.
Neste guia, vou apresentar os 10 tipos de gráficos essenciais que os profissionais usam (e quando usar cada um) e os 5 gráficos que você deve evitar a todo custo se quiser ser levado a sério.
A Regra de Ouro: "Qual Pergunta o Gráfico Responde?"
Nunca comece escolhendo o gráfico. Comece definindo a pergunta. O tipo de pergunta que você está fazendo determinará o tipo de gráfico que você deve usar.
Quase todas as perguntas de negócio se encaixam em 4 categorias:
COMPARAÇÃO: "Quanto [X] é maior ou menor que [Y]?"
Ex: "Qual vendedor vendeu mais?" (Comparação entre categorias).
TENDÊNCIA (Série Temporal): "Como [X] mudou ao longo do tempo?"
Ex: "Nossas vendas estão subindo ou caindo nos últimos 12 meses?"
COMPOSIÇÃO (Parte-Todo): "Qual a porcentagem de [X] em relação ao total?"
Ex: "Qual a participação (market share) da Região Sul no faturamento total?"
DISTRIBUIÇÃO ou CORRELAÇÃO: "Com que frequência [X] acontece?" ou "Será que [X] afeta [Y]?"
Ex: "Qual nossa faixa de preço mais vendida?" (Distribuição).
Ex: "Dar mais desconto aumenta a quantidade vendida?" (Correlação).
Agora, vamos ver os 10 gráficos que respondem a essas perguntas.
Os 10 Gráficos Essenciais para Dashboards Profissionais
Bloco 1: Gráficos de COMPARAÇÃO
Usados para comparar valores entre diferentes categorias.
1. Gráfico de Colunas (Column Chart)
Quando usar: O padrão-ouro para comparar categorias. Use-o quando você tiver poucas categorias (ex: 4 a 7 vendedores) e os nomes das categorias forem curtos.
Pergunta que responde: "Quanto cada vendedor vendeu este mês?"
2. Gráfico de Barras (Bar Chart)
O que é: Essencialmente, um gráfico de colunas "deitado".
Quando usar (A "Pega" do Especialista): Use Barras (Horizontais) em vez de Colunas (VerticaIS) quando você tiver muitas categorias (ex: Top 20 Produtos) ou quando os nomes das categorias forem longos. O eixo Y vertical é muito mais fácil de ler do que textos na diagonal no eixo X.
Pergunta que responde: "Quais são nossos 20 produtos mais vendidos?"
Bloco 2: Gráficos de TENDÊNCIA (Série Temporal)
Usados para mostrar como um dado muda ao longo do tempo (dias, meses, anos).
3. Gráfico de Linha (Line Chart)
Quando usar: A ferramenta definitiva para mostrar tendência. Não há nada melhor para conectar pontos de dados e mostrar crescimento ou queda ao longo do tempo.
Pergunta que responde: "Como nosso faturamento flutuou nos últimos 12 meses?"
Evite: Nunca use um gráfico de linha para categorias que não são tempo (ex: Vendedor, Produto). Linhas conectam pontos, e não há "conexão" lógica entre "Ana" e "Bruno".
4. Gráfico de Área (Area Chart)
O que é: Um gráfico de linha com a área abaixo dele preenchida.
Quando usar: Quando você quer mostrar uma tendência, mas também dar ênfase ao volume total. Um gráfico de área empilhada é excelente para mostrar a mudança na composição de um volume ao longo do tempo.
Pergunta que responde: "Qual foi nosso volume total de vendas (área total) e como a participação de cada produto (áreas empilhadas) mudou mês a mês?"
5. Gráfico de Combinação (Colunas + Linha)
Quando usar: Quando você precisa comparar duas métricas com escalas diferentes. O uso mais clássico é Realizado vs. Meta.
A Configuração: Use Colunas para o "Realizado" (ex: Vendas do Mês) e uma Linha para a "Meta" (ex: Meta do Mês). Isso cria um contraste visual claro.
Pergunta que responde: "Batemos a meta de vendas nos últimos 6 meses?"
Bloco 3: Gráficos de COMPOSIÇÃO (Parte-Todo)
Usados para mostrar como um todo é dividido em partes (%).
6. Gráfico de Rosca (Doughnut Chart)
O que é: Um "Gráfico de Pizza" com um buraco no meio.
Quando usar: Quando você quer mostrar a participação percentual de poucas categorias (idealmente, 5 ou menos).
Por que é Melhor que Pizza (A "Pega" do Especialista): O buraco no meio é um espaço nobre! Você pode usá-lo para colocar um "Card" de KPI (ex: o número do Faturamento Total), enquanto a rosca mostra a divisão. É muito mais eficiente.
Pergunta que responde: "Qual o percentual de vendas de cada Região?"
7. Gráfico de Barras Empilhadas 100% (100% Stacked Bar)
Quando usar: Quando você quer comparar a composição (o "mix" de produtos) entre diferentes categorias.
Exemplo: Você tem 3 Vendedores. Um gráfico de barras 100% empilhadas mostra que 80% das vendas da "Ana" são do Produto A, enquanto 60% das vendas do "Bruno" são do Produto B.
Pergunta que responde: "O mix de produtos vendidos é diferente entre os vendedores?"
Bloco 4: Gráficos de ALVO e DISTRIBUIÇÃO
Usados para metas específicas e para entender a frequência dos dados.
8. Gráfico de Termômetro (ou "Bala" - Bullet Chart)
O que é: Um gráfico de barras modificado, excelente para KPIs.
Quando usar: Quando você quer mostrar o quão perto (ou longe) você está de uma meta. É o medidor de "atingimento de meta" perfeito.
Pergunta que responde: "De uma meta de 100%, quantos % já atingimos este mês?"
9. Histograma (Histogram)
O que é: Parece um gráfico de colunas, mas mostra a frequência de dados em faixas (bins).
Quando usar: Quando você quer entender a distribuição dos seus dados, não o total.
Exemplo: Em vez de "Qual o Ticket Médio?" (que pode ser distorcido por uma venda de R$ 1 milhão), o Histograma responde: "Qual a faixa de preço mais comum? Quantas vendas fizemos entre R$ 100-R$ 200?".
Pergunta que responde: "Qual é o perfil mais comum das nossas vendas?"
10. Gráfico de Dispersão (Scatter Plot)
Quando usar: O único gráfico que ajuda a identificar uma correlação (relação) entre duas variáveis numéricas.
Exemplo: Coloque "Desconto (%)" no eixo X e "Quantidade Vendida" no eixo Y. Cada venda é um ponto. Se os pontos formarem uma linha subindo da esquerda para a direita, você tem uma correlação positiva (mais desconto = mais vendas).
Pergunta que responde: "Será que dar mais desconto realmente faz a gente vender mais?"
Os 5 Gráficos que Você Deve EVITAR (Se Quiser Parecer Profissional)
Tão importante quanto saber qual gráfico usar é saber qual não usar. Evitar estes 5 é o primeiro passo para a clareza.
1. O Inimigo Nº 1: O Gráfico de Pizza 3D (3D Pie Chart)
O Problema: O pior gráfico já inventado. A perspectiva 3D distorce o tamanho das fatias. A fatia "da frente" (ex: 25%) parece visualmente maior que uma fatia "do fundo" (ex: 30%). Ele é bonito (para alguns) e 100% mentiroso.
A Solução: Use um Gráfico de Rosca (2D) ou um Gráfico de Barras (2D).
2. Qualquer Gráfico 3D (Colunas 3D, Linhas 3D...)
O Problema: O mesmo do anterior. O 3D adiciona "poluição visual" (profundidade, sombras) que não significa nada e torna a comparação de valores (a altura das colunas) mais difícil, não mais fácil.
A Solução: Fique no 2D. Simples, limpo, honesto.
3. O Gráfico de Radar (Radar Chart)
O Problema: Parece "high-tech", mas é impossível de ler. O cérebro humano não é bom em comparar áreas de polígonos irregulares. Um Radar com mais de 3 categorias vira um emaranhado de linhas.
A Solução: Um simples Gráfico de Barras comparando os mesmos atributos é 1000x mais claro.
4. A Armadilha do "Eixo Duplo" (Dual Axis)
O Problema: Você tem um Gráfico de Combinação (Colunas e Linha), mas com duas escalas (dois eixos Y), uma à esquerda (ex: de 0 a R$ 100.000) e outra à direita (ex: de 0% a 100%). É muito fácil manipular a percepção. Ao ajustar as escalas, você pode fazer parecer que duas coisas estão correlacionadas quando não estão. É confuso e desonesto.
A Solução: Se precisar comparar, crie dois gráficos separados, um acima do outro, compartilhando o mesmo eixo de tempo (X).
5. O Gráfico de Funil Padrão (Funnel Chart)
O Problema: O gráfico de funil nativo do Excel é, na maioria das vezes, péssimo. Ele mostra as etapas como blocos, mas não mostra a perda entre elas.
A Solução: Um Gráfico de Barras Horizontais, mostrando a "perda" (Ex: 1000 Leads, 300 Oportunidades, 50 Vendas), é muito mais dramático e claro para mostrar onde está o "vazamento" do seu funil.
Conclusão: "Menos é Mais" (O Princípio do Design)
A seleção de gráficos é um exercício de clareza e minimalismo. Um Dashboard profissional raramente tem mais do que 5 ou 6 visualizações de dados, e todas elas são escolhidas a dedo para responder às perguntas-chave do negócio (os KPIs).
Na dúvida, use a ferramenta mais simples. Um Gráfico de Barras ou um Gráfico de Linha bem formatados são quase sempre a resposta correta. O objetivo do seu Dashboard não é impressionar com fogos de artifício; é informar com precisão.
O Próximo Passo
Você agora sabe quais gráficos escolher. O próximo passo é aprender a construir o painel que vai abrigar essas visualizações de forma interativa.
1. A Visão Geral (O Pilar): Como construir a página única, conectar os filtros (Slicers) e organizar esses gráficos em um layout profissional? Aprenda o método de 5 passos no nosso guia mestre:
➡️ Leia Agora: Como Criar um Dashboard no Excel do Zero [Guia Completo]
2. A Ferramenta por Trás (O Motor): Esses gráficos precisam de dados. A melhor forma de alimentar seus gráficos é com Gráficos Dinâmicos, que são ligados a Tabelas Dinâmicas.
➡️ Releia: Tabela Dinâmica no Excel: O Guia Completo para Sair do Zero
3. O Domínio Completo (A Aula Mestra): Quer aprender a criar os gráficos avançados que mencionei (como o "Termômetro" e "Bala")? Quer dominar os princípios de design (cores, fontes, alinhamento) que separam um Dashboard amador de um profissional?
➡️ Conheça minha Aula Mestra: Como Criar Dashboards de Impacto
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